quinta-feira, 19 de março de 2026

Acontece: Esta semana - 1 Nissan 5786

 

ACONTECE: Os judeus brasileiros acompanhando a Guerra no Oriente Médio

Regina P. Markus - 18/03/2026

Publicado no ETNM em 19/03/2026



No dia 18 de março é celebrado no Brasil o Dia Nacional da Imigração Judaica. A data foi oficialmente instituída pela Lei nº 12.124/2009 para homenagear a história, a cultura e o papel fundamental da comunidade judaica no desenvolvimento da sociedade brasileira ao longo dos séculos. Neste ano também celebramos o início do mês de Nissan. No contexto bíblico, este é considerado o primeiro mês do ano. De 15 a 22 de Nissan (1 a 9 de abril) será a festa de Pessach. No mês que se encerra, Adar, comemoramos PURIM. Fatos que aconteceram nos tempos bíblicos estão muito vivos no dia a dia de 2026: estas duas comemorações lembram pontos marcantes do POVO JUDEU, a saída do Egito e o início de Eretz Israel. Como um grupo familiar que conservava a memória de seus patriarcas vai em busca de um espaço físico que será habitado por milênios e, mesmo quando perde identidade civil, é mantido vivo em forma de esperança e sonho. O retorno do mesmo povo judeu da Pérsia para Jerusalém, após ser levado para um exílio na Babilônia.  

E este ano, está se desenrolando uma guerra no Oriente Médio. Iniciada no dia 7 de outubro de 2023, com a invasão do Hamas no sul de Israel e ampliada em frentes no Sul do Líbano (Hezbollah), Síria (Jihad Islâmica), Iêmen (Houtis). Em 2024, o Irã (Jihad Islâmica e o exército oficial do Irã) atacaram Israel. O mundo muçulmano envolveu-se, mas hoje sabemos que não foi um apoio maciço. Enfim, começamos a ver as nuances. E constatar que as cores das resistências eram sombreadas pelo medo e pela reação de boa parte do mundo ocidental. Neste foi iniciada uma nova era de antissemitismo, em muitos locais declarada e aplaudida. 

Hoje vamos registrar duas atividades que ocorreram em São Paulo. Atividades de que participei e que abrem novos e importantes horizontes.


1 – Bate-Papo Vozes do Agora: Encontro com Mulheres Protagonistas, com a participação de Carol Maluf, Ana Beatriz Pedrosa Alckimin e Mahsima Nadim. A jornalista Mona Dorf mediou a conversa. Mulheres do Líbano, Brasil e Irã. Todas residem no Brasil e Ana Beatriz já residiu em vários países. Carol nasceu no Líbano e imigrou criança e Mahsima nasceu no Irã e imigrou há apenas 3 anos.
 
2 – RUN4theirLives – Marchando por suas Vidas – durante três anos em todo o mundo foram realizadas passeatas quinzenais em muitas cidades do mundo, incluindo São Paulo. O objetivo – trazer os reféns presos e mortos na Faixa de Gaza de volta para Israel. E, no último domingo, andamos no Jardim da Luz e chegamos à Sinagoga da Rua Prates, a primeira de São Paulo, comemorando a volta de todos os reféns vivos ou mortos. Alcançamos os objetivos – mas os dias de hoje mostram que temos que continuar gerando ações que permitam engajamento e divulgação. 
Não deixem de abrir o texto que está no Blogger e ler muito mais. Comentem! 

1 – BATE-PAPO - VOZES DO AGORA





Este foi um encontro memorável. Ana Beatriz Pedrosa Alkimin, brasileira, judia e negra é uma importante “ativista” de direitos humanos. Coloco a palavra “ativista” entre aspas porque Ana desenvolve uma atividade baseada em dados, leis e regras das Nações Unidas e suas subsidiárias e de muitos países. Um dos temas que foca é discriminação e, segundo o meu entendimento, considera o antissemitismo como uma forma de discriminação. É pedagoga formada pela USP com muitos estudos no exterior. Sua fala focou na apresentação de dados. 

Mahsima Nadim é persa, iraniana. Morou em Teerã até 2023, quando imigrou para o Brasil. Sua imagem no palco chamava atenção pelo cuidado pessoal, elegância e tranquilidade. Com uma voz calma, relatou fatos de sua vida que levaram muitas das presentes às lágrimas. Viveu no Irã antes da chegada dos aiatolás, em 1979. Tinha uma família estruturada, com posses, frequentava escola, festas e gostava de ler e conversar. Tinha pouco ou nenhum contato com muçulmanos, e a maioria dos habitantes eram zoroastras. Uma religião da antiguidade que era professada no Império Persa. Uma religião que admitia a diversidade. Por isso, tantos grupos étnicos diferentes moravam na Pérsia com liberdade para manterem tradições e costumes. Mahsima discorreu sobre a passagem de um regime de liberdade para um regime de autoritarismo imposto por um grupo minoritário que obrigou a conversão dos habitantes do Irã. Em 1979 a chegada do grupo islâmico liderado pelo Aiatolá Khomeini impôs a adoção do islamismo xiita e mudou completamente o modo de vida da população. A morte e a tortura viraram rotina e as mulheres foram obrigadas a usar vestimentas que escondem sua identidade. Mahsima conta que sua família ainda mora em Teerã, e apresenta um irmão recém-chegado ao país. Vale buscar conhecer melhor esta linda e elegante mulher. Fiquei muito impressionada quando falou sobre a origem da palavra Irã. Eu imaginava que o nome Pérsia havia sido substituído por volta de 1979, mas Mahsima explicitamente conta que este foi o nome dado pelo último Xá (imperador).
Ao assumir o trono em 1925, o monarca era oficialmente conhecido como Xá da Pérsia. Dez anos após, 1935, Reza Shah Pahlavi determinou que a comunidade internacional passasse a usar o nome Irã. Pérsia é um nome grego que foi usado por séculos para designar o Grande Império do Oriente. Os habitantes locais já chamavam suas terras de Irã ou Irani. O nome deriva de Ariana e a tradução seria Terra dos Arianos. O termo Pérsia refere-se a uma etnia específica e o termo Irã a todas as etnias que habitam a vasta região. Foi interessante ver a reação da plateia. Alguns poucos, mas perceptíveis, momentos de silêncio e a seguir uma linda salva de palmas. Era como se todas estivessem aprendendo algo novo. 
A mulher teve um papel importante no Irã. Tadj ol-Molouk (esposa do primeiro Xá e mãe do último) foi uma figura revolucionária. Ela foi a primeira rainha na história do Irã a aparecer em público sem véu. Em 1936, compareceu a uma cerimônia de formatura com suas filhas, todas com os rostos descobertos. Isso causou choque na sociedade conservadora da época e representou um grande símbolo do "Novo Irã" que seu marido desejava construir. Ela não era apenas uma figura cerimonial. Tadj ol-Molouk era conhecida por sua forte personalidade e influência sobre seu marido, Reza Shah. Após a abdicação e o exílio dele em 1941, ela permaneceu uma figura central na corte, frequentemente aconselhando seu filho, Mohammad Reza Pahlavi, durante os primeiros e instáveis anos de seu reinado. Curiosamente, ela também pertencia à família Ayromlou (o mesmo clã de sua sogra). Essa família fazia parte dos "imigrantes do Cáucaso", que eram muito leais à coroa e ocupavam altos cargos no exército, o que ajudou a consolidar o poder da dinastia Pahlavi em seus primórdios. 

(O texto acima foi construído com auxílio de inteligência artificial para não incorrer em erros de interpretação e datas.)

Ela falou muito sobre os tempos atuais, o que é ver a morte de 40.000 pessoas em um só dia e não viver dia algum sem que pessoas sejam mortas. Como muitas mulheres, foi presa por problemas de vestimentas, e com a gentileza que caracterizou sua fala, expressou o estranhamento do apoio de uma parte importante de brasileiros a este regime ditatorial e violento. Foi memorável e o mais interessante foi unir cultura, educação e registro de dados confiáveis. As falas de Ana Beatriz e Mahsima foram muito diferentes, mas ambas deixam uma mensagem comum: a educação de um conglomerado humano é feita não apenas por métodos formais, mas também pela vivência e por dirigentes que respeitam a diversidade.

A fala de Carol Maluf foi em um tom alto, de revolta e de muita intensidade. Carol imigrou do Líbano no início da década de 1980, ainda criança. Também trouxe muitos fatos interessantes. Conta que não tinha vontade alguma de falar sobre o Oriente Médio nas escolas em que estudou. Os brasileiros consideravam todos os que vinham daquela região “turquinhos”. E ela cansou de contar que no Líbano a maioria da população era de cristãos maronitas seguida por cristãos grego-ortodoxos e melquitas. Curdos, armênios, assírios, caldeus e judeus. A população mulçumana era, em sua maioria, sunita. Os judeus habitavam o Líbano desde os tempos bíblicos. Chama atenção que na época dos mamelucos (1250-1557) os judeus eram considerados um povo protegido (dhimmis). Gozavam de liberdade cultural e religiosa e contribuíam de forma significativa com a economia do império. O desconhecimento sobre a história do Líbano era tão grande que professores em um colégio de primeira linha em São Paulo estranhavam que ela não falasse árabe. E a jovem se cansou de dar explicações e passou 30 anos sem falar sobre o Oriente Médio. Há três anos, após a invasão do Hezbollah no sul do Líbano, passou a dar palestras e se manifestar de forma proativa.

“Excesso de informação e informações erradas. Algumas são desinformações básicas – Israel invadiu o Líbano – mas Israel vem ajudar a guerra civil! A Guerra civil é interna – entre os civis libaneses.”

Há uma grande confusão por causa dos direitos dos cristãos. Havia um pacto entre os povos libaneses de que o presidente seria cristão maronita, o vice-presidente seria muçulmano, o primeiro-ministro sunita e o chefe da câmara xiita. A inversão da população desde a década de 80, quando se diz que era invasão de Israel, nada mais é que a invasão de Yasser Arafat, um estudante de esquerda que fomentava movimentos estudantis. Arafat é preso e expulso do Egito. Vai para a Jordânia, onde cria a Organização de Libertação da Palestina. É um movimento paramilitar terrorista. A Jordânia se recusa a permitir que fiquem em solo jordaniano e aloca a OLP nos territórios da Samaria e Judeia. Carol segue com uma força incrível comentando os tempos de hoje no Líbano e enfatizando que as relações entre o Líbano e Israel precisam ser avaliadas no contexto libanês e não no contexto da mídia internacional.
Mona Dorf finaliza a noitada, chamando a atenção para o fato de que este foi um momento especial, um momento de mulheres que pertencem ao mundo e que na calada do dia a dia transformam. E a plateia aplaudia e continuava sentada, respirando! O ar entra e sai, e é hora de voltar à realidade.

2 – RUN 4 THEIR LIVES




O movimento Run for Their Lives (R4TL) teve início pouco depois dos ataques de 7 de outubro de 2023 contra Israel. Foi fundado por um grupo de israelenses que viviam na região da Baía de São Francisco, na Califórnia. Foi criado como uma forma de canalizar a frustração e não esquecer os que foram feitos reféns em Gaza pelo Hamas. O movimento foi criado em parceria com o Fórum de Reféns e Famílias Desaparecidas. O que começou como um grupo de corrida local rapidamente se tornou uma iniciativa internacional de base, com mais de 200 grupos em todo o mundo. 
O movimento consiste em caminhadas ou corridas semanais — geralmente aos domingos — e é descrito como um esforço humanitário apolítico que envolve participantes judeus e não judeus. 

Em todo o mundo os participantes utilizavam o mesmo slogan: #BringThemHomeNow. 
O grupo de São Paulo é liderado pelas irmãs Betty Grobman e Cintia Grobman Amato. Ativistas entusiastas que lideram caminhadas por muitos parques de São Paulo. A primeira atividade foi em novembro de 2024 e quatro pessoas fizeram uma caminhada no Parque do Povo.

Eu passei a participar das atividades em 2024 e lá tive o prazer de encontrar Itanira e Johny. Caminhadas energizantes, que algumas vezes foram acompanhadas pelas redes sociais.

Neste mês de março foi realizada a última caminhada em todo o mundo. Foram mais de 200 cidades que agradeceram a volta de todos os reféns. Como dizem nossos livros e também nossos sábios e também nossa cultura – nunca deixamos o passado para trás, por mais doloroso que seja, porque a lembrança do passado é essencial para que a VIDA possa ser transmitida de geração em geração. Caminhamos no Jardim da Luz, iniciando no portão em frente à Estação da Luz. Local onde desembarcou a maioria dos judeus que chegavam no porto de Santos. Muitos dos que estavam caminhando contavam a história de seus antepassados que lá chegavam. Imaginem homens mulheres e algumas vezes famílias chegando num país completamente diferente e que precisavam de um repouso. Nossa comunidade, ao longo dos milênios, sempre procurou prover o necessário. E assim surgiu um abrigo na Rua da Graça, 160, onde poderiam descansar por uma ou algumas noites. Conta a inteligência artificial do Google que “A Sinagoga da Rua da Graça, oficialmente conhecida como Sinagoga Kehilat Israel, é a sinagoga mais antiga do estado de São Paulo, fundada em 1912 por imigrantes judeus vindos da Bessarábia. Ela hoje abriga o Memorial da Imigração Judaica e do Holocausto."

Caminhamos até o Memorial e lá cantamos, escutamos e brindamos o sucesso da volta de todos que foram sequestrados e feitos reféns. Vivos e mortos. Lembramos dos que se recuperaram e superaram e daqueles que ainda estão no processo. Lembramos dos grandes avanços feitos em tecnologias que permitiram recuperação física e mental. E do carinho que envolve os que se juntam. Entregamos ao Memorial toda a memorabília usada nas caminhadas que integrarão o acervo do memorial  na área dedicada ao 07/10, como plaquinhas, faixas, cartazes, bandeiras, pulseiras e as fotos dos 2 anos de todas as caminhadas. Brindamos e rezamos. Os risos de alguns se misturavam com as lágrimas de outros. Eu tinha a sensação de que a emoção era a mesma, era genuína e intensa e as demonstrações evidenciavam as diferenças individuais. E aquele grupo de união, de dignidade, era composto de judeus de diferentes origens e notações e também não judeus. Tinha até duas senhoras que caminharam e ficaram muito tocadas ao ver imagens do Holocausto! Caminhar pela Dignidade – e pela possibilidade de criar um ambiente diverso para aproximar os diferentes. 


Betty e Cintia estão puxando o cordão para a próxima etapa!!! Vamos nessa!

Regina Pekelmann Markus - 18/03/2026

quinta-feira, 21 de dezembro de 2023

UM POVO ENTRE OS POVOS - Cultura versus Ideologias

 Um Povo Entre os Povos - Cultura X Ideologias

Regina P Markus - 20/12/2023




Estamos há 11 semanas do dia 7 de outubro de 2023. O dia em que Israel foi invadido e que moradores dos arredores da Faixa de Gaza foram assassinados, torturados, sequestrados. Dia que foi um chamamento para a guerra. E, bastou dois ou três dias, mas certamente 10 dias após o início governos do mundo e a ONU se voltam contra o Estado de Israel e emerge uma reação antissemita que não estava no radar da maioria das pessoas. Hoje vamos acontecer como POVO, como Povo Entre os Povos que tem desde seu estabelecimento uma missão. Esta pode ser traduzida e interpretada de mil maneiras. Hoje vamos conversar sobre como sobrevivem CULTURAS, apesar de IDEOLOGIAS esterelizantes.

Dois meses e meio de um conflito que traz surpresas e confirma suspeitas. O Hamas ter a capacidade de invadir Israel com a eficiência e crueldade constatadas estava além da imaginação de muitos. As reações heróicas do dia de civis e militares que chegaram ao local continuam nos surpreendendo a cada dia. Os depoimentos dos que estavam nos kibutzim, nas cidades, vilarejos e na grande festa que acontecia no Deserto do Neguev são impressionantes.  Vejam o que aconteceu com a cidade de Sderot, que tinha 35.000 habitantes. Judeus, árabes, beduínos, e também muitos estrangeiros que vieram para a grande festa. Muita música, comida e alegria. O mundo noticiou de forma parcial e Israel ficou estarrecido. Este dia presenciei "in loco" a surpresa, a falta de notícias... 

Ainda no dia anterior o país estava dividido, ou melhor rachado. Dividido por motivos políticos/ ideológicos o país voltou para suas origens culturais. Toda a população se mobilizou como uma grande família. Toda a população incluindo judeus, mulçumanos, cristãos, laicos, e as várias minorias. Os reservistas apresentaram-se e os demais assumiram como voluntários diferentes papéis. Há vários exemplos de ajudas a desabrigados e pessoas deslocadas. O mundo mal percebeu o como estes foram tratados não apenas com dignidade, mas com amor, com fraternidade, e com mimos. Hoje não vou tratar de números, mas é importante lembrar que a maioria dos habitantes das cidades, vilarejos e kibutzim atingidos pelo terrorismo foram evacuados, ao menos temporariamente. A zona atingida é a grande produtora agrícola de Israel. Lá nasceu o tomate cereja, que correu o mundo. A vida flui em meio ao caos. 

O tema cultura e ideologia pode ser tratado por vários ângulos. A cultura se forma ao longo dos anos e de gerações que transmitem de pais para filhos conhecimentos e hábitos de vida. A ideologia é baseada em ideias ditas revolucionários, inclusivas, distributivas, e que visam tirar de uns para dar para outros. Seguindo o princípio que aquele que é privado de suas conquistas vive às custas dos demais. 

A cultura judaica desde seus primórdios tem sido baseada na contagem das gerações e no estabelecimento de hábitos que vão sendo transmitidos ao longo de gerações. Esta semana a porção da Torá chama-se Vaigash (ויגש) (Aproximou-se). É a última das prashiot que contam a história de José. Nas anteriores foi contado como José, filho de Raquel e Jacob (Israel) nasceu, foi vendido pelos irmãos para ser servo no Egito, chega à casa de Potifar, é preso, interpreta sonhos na prisão e é chamado pelo Faraó para interpretar o sonho das 7 vacas magras e das 7 vacas gordas, seguido pelas 7 espigas de trigo maravilhosas e das 7 que não mais serviam para alimentação. Ao interpretar os sonhos e dar uma solução de estadista ao problema que iria chegar, torna-se o segundo homem do Egito, abaixo apenas do Faraó. Chegamos então à parashá desta semana. Vaigash - Aproximou-se.

A palavra solta, tem um tom conciliador. Aproximar é uma forma de partilhar, unir... Será? A frase mostra algo completamente diferente. No final da última parashá Benjamin, o irmão mais novo de José e o segundo filho de Raquel, o filho caçula de Jacob, é preso e todos os irmãos estão em frente ao Vice-Rei do Egito. Judá se aproxima e diz que ele quer ficar preso e ser punido no lugar de seu irmão. Após idas e vindas e contando o que passaria com Jacob, um pai idoso se o filho predileto não voltasse, o único filho de Raquel, pois o irmão mais velho estava morto, José decide se revelar aos irmãos. Jacob é trazido para o Egito, com todo o seu gado e seu povo e encurtando muito, chegamos ao final quando são compradas as terras de Goshen onde se instala o clã de Jacob. Este é um texto muito longo e contém a descrição de todos os descendentes dos filhos de Jacob. E é nesta cadeia de gerações que são vislumbradas gerações futuras.

Fazer parte de uma grande famílias que passa da condição de estar ligado ao Vice-Rei do Egito para alguns séculos depois virar uma população escrava é parte da história judaica ao longo dos milênios e em todos os confins da Terra.

Chegando aos dias de hoje o Povo Judeu continua sendo diverso e continua sendo um povo entre os povos. Se na diáspora é sempre minoria, em Israel constatamos que há cidadãos israelenses de todas as matizes e que estes estão integrados à sociedade em geral. Mantém seus hábitos e costumes, não sendo obrigado e nem mesmo tentados a integrar o Povo Judeu. A cultura de ser um Povo entre os Povos permite que seja gerada uma convivência que não rouba a identidade dos diferentes. Frente às atrocidades que vem sendo cometidas pelo Hamas. Aos mísseis diários que são detonados de Gaza, do Líbano e de alguns outros pontos vizinhos, encontramos uma população com grande resiliência. Um população que estava dividida pela política e se juntou na adversidade. Um população dividida entre reservistas e voluntários. Voluntários que cobrem os trabalhos dos que estão no exército. Uma voz corrente - a adversidade fortalece! Isto faz parte da cultura. 

No dia 20/12 a mãe de um dos 3 reféns, mortos por soldados israelenses ao confundirem com pessoas do Hamas, escreveu uma mensagem emocionante aos soldados: 

"Queria que soubessem que amo vocês, e abraço a cada um à distância. Sei que o acontecido não foi por culpa de vocês, mas sim do Hamas. Quero que lembrem que estão fazendo a coisa certa, aquilo que nós, Povo de Israel, precisamos. Vocês têm que proteger-se. Esta é a única forma com que podem nos proteger. Nós não estamos julgando e não estamos bravos, assim que tiverem chance são muito bem vindos à nossa casa. É muito difícil falar isso, mas vocês fizeram aquilo que era certo no momento."

SIM - uma mãe em Israel, é mãe do seu filho e de todos os outros. Este sentimento de pertencimento é único e dá a força necessária para resistir às adversidades. 

antissemitismo atinge o mundo de forma não prevista. Sempre sabemos que existe um antissemitismo de base, mas agora... Sim, todos têm visto, até na mídia nacional e no Brasil. Na França, este aumento foi exponencial e a resposta foi um aumento significativo da imigração para Israel a partir de outubro de 2023.

StandWithUs Brasil


Olhando pelo lado da ideologia, surgem mitos que são transformados em verdades e que voltam a ser mitos e que hoje criam a base para condenar Israel. Esta é uma esteira cheia de mercadorias, mas, como toda mercadoria que exala um odor desagradável o melhor é não publicizar! Assim, vamos deixar de trazer fatos e boatos. Apenas deixar registrado que o número dos que se intitulam palestinos aumentou exponencialmente desde 1967. Oops, por que 1967? 

Durante o Mandato Britânico da Palestina, que se encerrou em 1948 com a criação do Estado de Israel, todos os habitantes da área eram palestinos. Os judeus que nasceram até aquela data tinha certidão de nascimento e passaporte palestinos. Entre 1948 e 1967 os territórios que hoje são considerados palestinos eram parte integrante do Egito e da Jordânia. No ano de 1964 Iasser Arafat em uma reunião na Cidade Antiga de Jerusalém, que ainda era parte da Jordânia, cria a Organização de Liberação da Palestina. Segundo a Wikepaedia o estatuto original da OLP, promulgado em 28 de maior de 1964 declara que:"A Palestina com as fronteiras que existiam no tempo do Mandato Britânico é uma unidade regional integral e o objetivo da organização é proibir a existência e a atividade do sionismo." 

Inicio de um mito!

O Estado de Israel já era uma realidade política desde 1948, e esta realidade política é a continuação do Estado de Israel que foi varrido do mapa pelos romanos - no ano 70. O Povo Judeu disperso continuou tendo a sua vista voltada para Jerusalém! 

O que acontecerá após esta guerra acabar. Esta é um equação complexa com muitas incógnitas. Esperamos recuperar os entendimentos que levaram aos Acordos de Abraham e que vinham integrando Israel com os países árabes. Vamos voltar a cantar, A ESPERANÇA juntos. 

 Apenas uma das constantes da equação já pode ser adiantada. O Povo Judeu segue pelos próximos milênios.

Am Israel Chai

Regina P Markus


quinta-feira, 7 de dezembro de 2023

Hanuka 5784 - SETE (7, VII); Sheva (zain);

 

1ª vela de Hanuka - 25 Kislev 5784

7 de dezembro de 2023  - 7, VII, SHEVA

Regina P Markus   

O número sete tem muitos significados. O Shabat é o sétimo dia da semana. Um dia que deve ser lembrado e guardado. Pilar Rahola, a personalidade de Barcelona que falou na sede da UNIBES em São Paulo no dia 5 de dezembro, apresentou-se como católica não praticante e disse que não havia conhecido judeus em sua infância. 


Beit Halochem - Um segundo Lar para os Feridos em Israel

Pilar é uma importante defensora dos judeus e de Israel na Europa e no mundo. Comentou que o primeiro contato que teve com o judaísmo foi através de uma Bíblia católica. Sua família presava a justiça social e ela, ainda criança, descobriu que o primeiro código de leis do mundo a estabelecer um dia para o descanso semanal foi o encontrado no Velho Testamento.


Justiça Social –  muitos que hoje atacam, difamam e condenam os judeus e Israel não sabem ser este o conceito básico do judaísmo. Tzedek (justiça) é um conceito que permeia os cinco livros da Torá e que os profetas Amós, Ezequiel, Isaías e Jeremias apontavam como tão importante que para segui-lo era permitido até descumprir regras que se aplicam ao Shabat. 


Tzedaká é a palavra usada para “doações”. Fazer tzedaká é responsabilidade do pobre e do rico, é a contribuição de cada um para manter a sociedade saudável. Tsedaká é praticada pelos judeus ao longo dos milênios visando a comunidade interna e a comunidade maior.


No dia 7 de dezembro de 2023, 25 de Kislev no calendário judaico, será acesa a 1ª vela de Hanuka, a festa das luzes!!! Acender a Hanukiá, um candelabro com 8 braços mais o Shamash, é uma das obrigações judaicas seguidas por muitos. Uma festa em que se comemora a vitória dos Macabeus sobre os gregos. Israel tinha sido praticamente eliminada, Antioco, rei do Império Sírio, que incluía todas as terras de Israel, inclusive Jerusalém, obrigou a conversão ao helenismo e colocou um altar para Zeus no Templo de Jerusalém! E... os judeus foram perseguidos, convertidos à força ao helenismo e ... Eis que da cidade de Modiin, surge Matatiahu e seus cinco filhos, que iniciam uma revolta. Os Macabeus saem vitoriosos, entram no Templo e acendem o Candelabro de Ouro, que muitos anos depois foi levado para Roma, após a destruição do Templo e está retratado no Arco de Tito. Só havia azeite para 1 dia! E eram necessários 8 dias para que azeite novo fosse preparado. O milagre de Hanuka aconteceu! As velas ficaram acesas por 8 dias!!! A partir de então passamos a acender o candelabro de Hanuka de forma ritual, uma vela por dia, sempre após a entrada da noite. Noites de sonhos (como são gostosos), noites de luzes e estrelas, noites de jogos – roda-se o tradicional peão com as letras Nun, Guimel, Hei e Shin (ou Pei). Nes gadol haia sham – para quem está longe – e Nes gadol haia pó – para os que estão em Jerusalem. Um grande milagre aconteceu lá. Um grande milagre aconteceu aqui.

Por séculos colocamos as Hanukiot na janela e a luz das velas iluminam as noites.



E poderia parar por aqui!!! Mas 7 de dezembro completa dois meses do inominável 7 de outubro, quando o HAMAS, organização terrorista que governa Gaza atacou de forma inusitada os kibutzim, vilarejos, cidades e uma enorme festa campestre em Israel. 60 dias após atos de terror. A cada dia sabemos algo mais dos horrores que aconteceram. Reféns que foram mantidos sem alimentação. Menina que teve seu braço amputado a sangue frio. Estupros e esquartejamento. Em nome do que? Muito difícil definir. Seguem um slogan e um regramento que é resumido em... “do rio ao mar” não haverá judeus na terra de Israel.

E o mundo... como disse Pilar Rahola, a reação do mundo vai além da imaginação. Culpar os israelenses e os judeus tem sido uma tônica. Desculpar e usar meias palavras para relatar os crimes do Hamas tem sido uma constante. Manchetes que transformam estupros e assassinatos em termos aceitáveis através de linguagem amenizada. Organizações feministas e humanitárias que não consideram as judias dignas de serem tratadas como vítimas. Somando a todas estas aberrações, parece que foi esquecido quem iniciou o processo e tem sido usurpado o direito de defesa. Tem havido uma recusa permanente das propostas de convivência. Chama atenção que 20% da população de Israel é árabe, mulçumana ou cristã. São cidadãos israelenses com direito a educação e ocupando cargos de destaque no Exército de Defesa de Israel, no Parlamento, Universidades, Meios de Comunicação, Esportes e no Ecosistema de Inovação.

O 7 de outubro foi programado por longa data com auxílio de outros países mulçumanos, com destaque importante para o Irã. A geopolítica da região estava sendo alterada de forma marcante através dos acordos formais e dos acordos paralelos entre os países árabes e Israel. A cooperação é bastante intensa, e mesmo agora, no meio desta guerra insólita os bastidores revelam algo que é difícil imaginar.

A COP28 realizada em Dubai foi um exemplo da importância que Israel tem na região e de como grupos que esperam condenações e extermínio do Estado Judeu colocam estas demandas acima de um problema mundial. O Irã retirou sua delegação ao deparar-se com o Pavilhão de Israel e o representante da ONU para a “Haiti Cholera Research Funding Foundation Inc.” com escritório em Genebra inundou as redes sociais da COP28 informando que não estaria presente e que retirava apoio para a COP28.  Israel atua como uma grande liderança no mundo científico, e apesar do conflito e das muitas feridas esteve presente, incluindo o Presidente Isaac Herzog (https://www.bras-il.com/conflito-israel-hamas-pode-afetar-negociacoes-na-cop28/). Eis um exemplo de como os bastidores podem servir de uma lanterna para o futuro.

 

O que vem preocupando é a forma como as Universidades, aqui e em todo o mundo, mostram “alas” de estudantes que desprezam o saber, e demonstram um viés antissemita. E... também nesta semana presenciamos o Congresso Americano desvendando que não são os alunos, mas sim a permissividade dos professores e dirigentes universitários que acalenta o duplo discurso. Justiça social, sim.... mas os judeus não fazem parte do tecido social, portanto.... os conceitos tem que ser contextualizados. Vale assistir este curto vídeo!

https://youtu.be/6Bn95MFQNPY?si=Lyi2XpDCsvcIWGBF

E, se quiserem entender como os judeus são tratados nos países árabes, tem aqui um vídeo ilustrativo https://www.instagram.com/reel/C0fVzDoNPId/?igshid=MzRlODBiNWFlZA==

Como é possível não ver que neste mundo há apenas UM Estado Judeu, em todo planeta terra – e este continuará a existir. E este existe física e metaforicamente desde os tempos bíblicos.

Ahhh... temos que lembrar uma outra conotação do número 7!

Sete maravilhas do Mundo” – isto vem dos gregos!

Sete é conta de mentiroso”!!! (provérbio português);

O sete é cantado em prosa e verso.... espiem o que Gustavo Meneguel aprontou..

https://www.cifraclub.com.br/gusttavo-meneghel/sete-quedas/letra/

Sete é conta de mentiroso eu sei
Mais vou contar a minha história também
Com sete frases geniais
Que tem as sete notas musicais

Tinham sete quedas que sumiram com 
Em sete dias da semana sem 
Com sete vidas do meu gato mimi
Corri atrás dos sete anões tem fada
Tinham sete cores do arco íris e o Sol
Atravessei os sete mares e 

Se eu pudesse, traria de volta as sete quedas
Que sumiram do mapa
Se eu pudesse, traria de volta as sete quedas
Que sumiram

MAS – agora o 7/10/2023 foi marcado a ferro e fogo, foi marcado com os horrores do terror e com a volta do antissemitismo propagado dentro das sociedades maiores. Mas, ao contrário do que aconteceu ao longo dos milênios em que os judeus vagaram pelo mundo, hoje, a exemplo da época dos Macabeus, os cidadãos israelenses estão se defendendo!


CHAG SAMEACH! AM ISRAEL CHAI!


Regina


 




SE QUISER LER UM MILAGRE MAIS RECENTE... AVENTURE-SE 

 

Um Milagre de Hanukah no Holocausto

 

https://sinagogashaarei.org/um-milagre-de-chanukah-no-holocausto-2/

Por Yitta Halberstam e Judith Leventhal



Todos os anos, Chanukah chega exatamente quando parece que mais precisamos dele. Quando os dias são menores e as noites ficam insuportavelmente longas*, a menorah lança seu brilho sobre um povo com fome de luz. Em 1938, para todo o mundo tinha sido um longo e terrível mundo de trilhas se encontrando afundando em uma escuridão ao contrário de qualquer sabida na história moderna. Se alguma vez houve uma necessidade de luz para guiar o nosso caminho, foi nessa noite fria de Dezembro na Alemanha, quando o oitavo e último dia de Chanucá estavam prestes a começar.

A família Geier estava sentada em seu compartimento de segunda classe em um trem de Berlim para a Holanda, enquanto observavam o sol do inverno escorregar além do horizonte. Tinha sido uma longa e aterrorizante trilha que levou de Kristallnacht (“A Noite dos Cristais Quebrados“) até esse momento. Eles ainda não podiam acreditar que conseguiram obter um visto americano e agora estavam finalmente no que eles rezavam que seria uma jornada sem intercorrências para a liberdade.

Judah e Regina Geier e seus dois filhos, Arnold e Ruth, passaram a duração do passeio de trem olhando pela janela, mordiscando sanduíches, lendo, dormindo e tentando se comportar como se o mundo ainda fosse um lugar normal. Mas ao contrário da maioria dos outros passageiros, a família Geier permaneceu fortemente consciente dos perigos que os aguardavam quando o trem se aproximou da fronteira germano-holandesa. Ali, os nazistas, a polícia alemã e os oficiais da Gestapo estariam todos presentes para um cheque final de passaportes e documentos de viagem.

Para Judah Geier, no entanto, havia um peso adicional que pesava em seu coração. Como judeu ortodoxo e hazan, toda a sua vida se dedicou a seguir os caminhos da Torá. No entanto, aqui estava, quase ao anoitecer, quando as chamas da menorah de Chanuká deveriam estar se erguindo para espalhar a luz, e ele foi forçado a sentar-se calmamente em seu assento com apenas o brilho severo de uma lâmpada nua para iluminar o céu cinzento. Rodeado por estranhos, ele teve medo de fazer uma partida ou recitar uma bênção por medo de chamar a atenção e a família dele. Regina Geier, sentindo a luta interior de seu marido, tentou tranquilizá-lo de que D’us, que vê e conhece todos, certamente entenderia sua situação e, sem dúvida, lhe concederia muitos mais “Chanucá’s” para comemorar adequadamente.

Judah assentiu com graça, mas não pareceu reconfortante. Em um lugar e hora de tal escuridão espiritual, a luz da menorah parecia mais importante do que nunca – especialmente nesta oitava noite de Chanucá, que representa o ponto culminante do feriado, quando todas as velas são acesas simultaneamente para proclamar o milagre da sobrevivência dos judeus. Sob estas circunstâncias perigosas, como ele poderia acender a menorah? Mas, então, novamente, como ele poderia não acender?

Judah transformou a questão repetidamente na cabeça enquanto o trem continuava em frente. De repente, o trem parou na travessia germano-holandesa, onde se sentou na estação durante os dez minutos mais longos da vida de Judah, enquanto a polícia de fronteira e a Gestapo se preparavam para verificar os documentos de todos. Ele sentiu que o corpo de sua esposa permanecia próximo ao dele, e até seus filhos ficaram congelados com medo. Uma resposta errada, uma contração nervosa, poderia significar a diferença entre a fuga e a prisão, entre uma nova vida e uma morte certa.

Então, aconteceu. Um milagre de Chanucá chegou à fronteira alemã apenas na hora certa. Sem aviso prévio, toda a estação e todos os cantos do trem foram empurrados para a escuridão total. Todas as luzes se apagaram no mesmo instante, deixando os passageiros e os oficiais que se aproximavam na tentativa de tingir na escuridão.

Sem uma segunda hesitação, Judah aproveitou o momento e alcançou o sobretudo no porta-bagagens acima. Ele colocou a mão em um dos bolsos e puxou uma pequena embalagem. Antes que alguém percebesse o que estava acontecendo, ele riscou o fósforo, acendeu uma vela e rapidamente aqueceu o fundo das outras oito velas. Ele então os plantou firmemente em uma fileira limpa sobre o peitoril da janela e, num sussurro sem fôlego, recitou as bênçãos de Chanucá. Enquanto sua família olhava com espanto, Judah acendeu cuidadosamente cada vela e colocou a nona vela, o shamash – para o lado. No calor brilhante da menorah, seu rosto irradiava alegria e paz pela primeira vez em meses.

Ao ver a luz inesperada na janela, a Gestapo e a polícia de fronteira correram. O som de suas botas atingindo o pavimento com golpes intensificados ecoou durante toda a quietude.

No entanto, Judah continuou a concentrar seus pensamentos nas luzes de Chanukah enquanto seu coração batia tão alto e rápido quanto os passos acelerados.

Quando os oficiais atravessaram a porta, Judah estava preparado para o pior, talvez até o fim. No entanto, em vez de Judah se preparou para o pior, talvez até o final respondendo com raiva a essa demonstração de judaísmo, os oficiais apenas notaram a oportunidade que isso proporcionou. À luz das velas cintilantes, eles agora poderiam ver claramente o suficiente para começar a verificar passaportes e papéis, e assim, com uma característica eficiência nazista, eles começaram a trabalhar. Assim que o processo foi concluído e eles estavam prestes a sair, o oficial principal da polícia da fronteira se dirigiu para Judah e agradeceu pessoalmente por ter tido a proatividade de levar “velas de viagem” em sua viagem.

Enquanto isso, a família Geier sentou-se em silêncio atordoado por cerca de meia hora, incapaz de tirar os olhos do peitoril da janela. Assim como as velas começavam a ficar fracas, todas as luzes da estação repentinamente piscavam. Judah, ainda impressionada com o que acabara de testemunhar, colocou o braço em volta do seu filho de doze anos. Com lágrimas em seus olhos, ele o aproximou. “Lembre-se deste momento”, ele declarou suavemente. “Como nos dias dos Macabeus, um grande milagre aconteceu aqui”.

Como disse Arnold Geier (filho de Judah) a Pesi Dinnerstein

domingo, 5 de novembro de 2023

FATOS no CALENDÁRIO - 1 ano, 1 mes ho - 5/11/2023

 FATOS no CALENDÁRIO - 30/01/2022, 5/10/2023, 5/11/2023


5 de novembro de 2023 -  Lembrando o Dia do Inominável
MORTE - SEQUESTRO - ESTUPRO - MUTILAÇÃO de Vivos e Mortos
AM ISRAEL CHAI - 




Tem dias que o mundo lá fora gira, e nós temos a possibilidade de olhar para dentro e ficar com nossos pensamentos. Outros, a data é tão marcante que sempre associamos a alguma pessoa ou fato. Este dia é associado ao aniversário de um amiga, cientista e líder comunitária. A primeira mulher presidente da ABC, e que, sendo humana, soma muito, mas muito mais pontos positivos que negativos.

Na última década, de forma muito acelerada venho crescendo as relações entre Israel e os Países Árabes. Entendimentos em áreas comerciais, áreas de produção, desenvolvimento científico e tecnológico, esportes e educação. Sim, crianças e jovens israelenses viajando para Arabia Saudita, Emirados Árabes, Marrocos e outros países. Ilustro este fato com um encontro formal em Abu Dhabi entre o Presidente de Israel e  Príncipe Herdeiro dos Emirados Árabes Unidos. Na foto abaixo está a recepção feita no Aeroporto pelo Ministro das Relações Exteriores

 O presidente israelense Isaac Herzog e o ministro das Relações Exteriores dos Emirados Árabes Unidos, Sheikh Abdullah bin Zayed Al Nahyan, conversam enquanto caminham pelo aeroporto em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, neste domingo (30) — Foto: Amos Ben-Gershom/GPO/Divulgação via Reuters



Um fato inédito foi tocar o Hino Nacional de Israel - Hatikva, Esperança - no salão nobre na presença do Príncipe Herdeiro. A História tomava um novo rumo!! Parecia que o mundo estava acompanhando uma virada extremamente importante. Caso o conflito do Oriente Médio pudesse acabar, juntar as bases de conhecimento do Mundo Árabe e do Estado de Israel poderia trazer uma nova perspectiva para a região. A este esforço nações africanas como o Marrocos estavam participando e o Egito também entrou nesta roda, inclusive com a vantagem de junto com Israel estarem desenvolvendo a retirada de petróleo do Mar Mediterrâneo.


ÁRABES TOCANDO O HINO DE ISRAEL - De arrepiar!!!

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Há um mês parti do Brasil para chegar em Israel no dia seguinte. Estava programada uma visita curta. Passar Simchat Torá com a família de minha filha e ir ao Bat-Mitzva de uma sobrinha neta. Festança armada! Ler Torá no Kotel na quinta-feira dia 12 de outubro e seguia um Shabat festivo! 

Erev Simchat Torá, dia 6 de outubro,  foi espetacular. Fui à Sinagoga Darchei Noach em Ramat ha Sharon. Acompanhamos um serviço festivo e alegre, dançamos com as Torot e nem parecia existir diferença de fuso horário. No dia seguinte a programação era comemorar Simchat Torah dançando nas ruas da cidade, encontrar amigos e parentes e curtir uma visita deliciosa!


MAS... às 6h25 da manhã do sábado dia 7 de outubro as sirenes soaram e eu fui rapidamente, orientada por meu neto, para o quarto seguro. Foram 10 minutos e fiquei ouvindo eles narrarem. Acontece um "buuuum" algum tempo depois, e fico sabendo que são domos de ferro sendo acionados. Todos vão ouvir as noticias. E o inacreditável estava acontecendo! Um ataque por ar, terra e mar. Ainda não se sabia direito o que era e nem as dimensões, mas pessoas começam a se comunicar e, em duas ou três horas já sabíamos que o pior estava acontecendo! 

CALENDÁRIO - voltando 50 anos - 1973 - no dia 6 de outubro, tem início a Guerra de Iom Kipur. Também aconteceu num feriado judaico. Mas, é impossível dizer que não haviam sinais. Em filmes recentes podemos ver que o Gabinete de Golda Meir estava sendo alertado sobre a movimentação de tropas do Egito na Península do Sinai e da prontidão dos aviões. Ao perceber que um desastre era inevitável, Golda Meir autoriza que a força aérea israelense destruísse os aviões egipcios em terra. Guerra em que Israel perdeu muitos soldados, que ao voltarem para casa exaustos tiveram uma recepção mais fria do que assistiram ao encerrar a Guerra dos Seis Dias (1967). Em 1973 o acordo de paz alcançado foi, anos depois, seguido da entrega da Peninsula do Sinai para o Egito. Foram entregues balneários fantásticos que os israelenses continuaram a frequentar.

Nunca entendi o porquê os egipcios se recusaram a ficar com a Faixa de Gaza. Um território mínimo (40 por 12 km)! Ao longo dos anos foi sendo fácil de entender que aquela população confiava ou estava sob o mando do grupo terrorista HAMAS. 


HOJE faz 1 mês que tudo começou!!! Sabemos que o arsenal do Hamas é enorme, sua organização muito boa e que construiu 500 km de tuneis! Tuneis que permitem entrar em Israel sem serem notados, mas que também permite esconder armas, combustíveis alimentos e pessoas!!! Um governo que educou sua população para o sacrifício, e para o ódio!!! MATAR e MORRER - são lados de uma mesma moeda - e a vida humana, ou o respeito pela pessoa inexistem.

Apesar do que presenciamos e que vemos agora do BRASIL, o mundo após dois ou três dias de estarrecimento iniciou um processo de descoberta do lenço antissemita. O antissemitismo surge de todos os lados. Estou estarrecida. Pessoas que admirava mostram uma violência contra os judeus que é estarrecedora. Por outro lado, os muitos antissemitas que já prevíamos sairam do armário!! 

Quantas pessoas que não se definem como "feminina" ou "masculino" apoiam o HAMAS! Creio que neste texto não vale à pena entrar neste mérito. A conclusão de todos estes fatos é que o antissemitismo está sempre pronto para aflorar.

E, neste momento errando ou acertando, estamos SOZINHOS.


SEGUIMOS EM ORAÇÃO - AÇÕES - e UNIÃO - 


E sabemos que a foto que inicia este texto vai ser em futuro breve resgatado como um farol para o futuro

AM ISRAEL CHAI











domingo, 13 de novembro de 2022

UM DIA DIFERENTE de 2022 - dia 12 de novembro

 Este é um ano especial. Cada dia é diferente de todos os outros de minha vida e atua como um interlúdio entre uma vida a dois e uma vida solo. 

Tive que fazer alterações importantes, como solicitar a aposentadoria dois anos antes da compulsória. Mas a vida na USP segue quase igual. O vagaroso é por minha conta. Tive que assumir a Madeka e também as propriedades físicas e com isso promover um desvio de rota inimaginável. O caminho é pavimentado com bombas e anjos. Aos poucos fui aprendendo distiguir entre o brilho dos metais e a tranquilidade das oportunidades.

Também foi um ano de muitas realizações pessoais. Uma das mais importantes foi apreciar o quanto Zulma e Pedro assumiram e foram além das fronteiras. Somos realmente uma equipe batuta, que tem capacidade de fantasiar e realizar. Esta é uma das melhores partes desta nova fase. Além de Zulma e Pedro, colegas e amigos, há os alunos dos dia a dia que vão seguindo suas histórias e alguns de forma brilhante.

Mas... por que ontem foi um dia especial. Foi o dia do "tudo errado" levando a "tudo certo". 

Após dois dias de uma importante queda de resistência, vômitos e uma fraqueza imensa que teve um saldo super positivo... perda de 4 kg (vamos ver quanto tempo isto dura), fui buscar meu carro que tinha ficado na USP. Vale aqui abrir um parênteses; sou muito saudável e raramente minha mente interfere negativamente sobre meu corpo,

Carro que é uma novela à parte. Levei praticamente um ano para rodar com o carro e esta foi a terceira vez que estava na rua. Rodando confortavelmente resolvi comprar a bateria para o controle remoto de entrada no Itaúna. Uma outra liberdade, pois parar toda vez e pedir que o porteiro abra a porta... uma dependência desnecessária.

Ah.. tudo trivial. Parei o carro e fui à Kalunga, Shopping Eldorado. Como sempre uma loja com um pessoal incrível. A moça que atendeu foi tão gentil que até fiz um self! 



Kalunga - Shopping Eldorado - 12/12/22

O tal do comando era uma coisa pequenininha e achar o parafuso requeria uma visão acima da nossa! Ela com toda calma procurou a chave certa, abriu, identificou a bateria - e após mais um perrengue para fechar estava feita a venda!! Posso dizer que ambas ficamos muito satisfeitas e o sorriso era algo que merecia o registro. Mantive a máscara e os óculos porque apesar do teste de SARS COV-2 ter dado negativo, algum virus poderia ter sido a causa da descompensação.

Aí começou a aventura 2 - vou pagar o estacionamento e estava sem a carteira!!! Huuummm. Voei até em casa e depois de volta!! Um senhor exercício - e como todos estavam viajando aproveitei o dia para um grande relax - filmes, livros e o que mais explorar.

Aí resolvi olhar onde estava em 12 de novembro de 2021.

Em 12/11/2021 foi desligada a PRISMAX - o rim artificial - e o Sasa foi liberado de todos os fios.

 

Um pouco depois saímos do Einstein - e a equipe muito carinhosa fez a despedida

Hoje, ao fazer a volta ao passado, vejo o porque tive que dar uma parada. Uma parada em que eu queria estar sozinha, não para fazer um balanço de 2022, mas para ficar suspensa no ar sem pensar - limpar o cérebro para que novas energias possam entrar.


2020 - foto de 13 novembro no nosso ap.



Estou feliz de ter escrito esta nota. Não achei fotos dos dias 12 e 13 de novembro de anos anteriores. Eram dias de rotina!!! Bom registrar para encerrar um período que estava há muito previsto, que trouxe muito aprendizado e que permitiu medir forças e capacidade de reação.








 

terça-feira, 21 de junho de 2022

PONTO DE INTERSECÇÃO - ENCONTRO DOS MUNDOS - INÍCIO DOS TEMPOS

 EDITORIAL: PONTO DE INFLEXÃO - ENCONTRO DOS MUNDOS - INÍCIO DOS TEMPOS


Vivendo um dia após o outro em épocas com tantos acontecimentos e informações exige atenção a muitos temas. Alguns são tão "fora da caixinha" que perdemos oportunidades de entender que serão pontos de inflexão! O momento em que o futuro está sendo moldado.

LIÇÕES DO PASSADO

A semana de 12 a 18 de junho foi marcante. Esta foi uma semana em que a passagem da Torah lida em Israel e na Galut (todos os países exceto Israel) durante o Shabat foi diferente. A parashat Behaalotechá (Bamidbar 8:1-12:16) lida na Galut é a mais longa da Torah, descreve o que ocorreu quando o Tabernáculo (tenda móvel em que foram levadas as Tábuas da Lei) ficou pronto. As luzes do candelabro de 8 braços se iluminavam da lateral para o centro e a luz ascendia (subia) pelo centro. As trombetas de prata, os códigos sonoros para reunir o povo, o vestir, lavar e preparar; o trabalho dos levitas. São muitas as regras e as ordens, e... o povo reclama da falta de variedade da comida! Ao serem atendidos, e chegar uma quantidade importante de codornas, alguns comem em excesso e deixam de ser compatíveis com a vida. Esta parashá é longa... com muitos trechos desafiantes, o no final traz o tema de Lashon hará (traduzindo literalmente - língua má, ou fofoca). O corpo de Miriam se tornam completamente branco após debochar do fato de seu irmão, Moshé, ter casado com uma midianita, filha do líder de Midian. Esta era uma tribo negra africana. Isolamento fora do acampamento para que a lepra pudesse passar. 

A parashat seguinte, Shelach (Bamidbar 13:1-15:41) conta que logo após receber a Torah no Monte Sinai, Moshé e o Povo de Israel chegam ao deserto de Parán, às portas da Terra Prometida.  Moshé envia homens de cada uma das tribos para Canaã. Caleb ao voltar traz amostras dos frutos maravilhosos e falam sobre a Terra do Leite e Mel! Os demais, focaram na força dos soldados que habitavam Canaã. Sabendo que a força de cada povo é formada não apenas pelo arsenal disponibilizado para a guerra, mas também por suas atitudes e projetos, Adonai informa que os que saíram do Egito não estão prontos para entrar. É necessário uma geração de homens e mulheres que saibam ir além do seu passado. 

O FUTURO....

No dia 15 de junho a presidente da Comissão Européia, Ursula von der Leyen, anunciou um memorandum de entendimento com Israel e Egito para fornecimento de gás de petróleo. Este é um momento de virada que vem sendo construído há décadas, com empenho total de governos de Israel e do Egito.  A capacidade de entrega atende às demandas européias, livrando o velho continente de um fornecedor único.

Como foi possível chegar a este ponto?

Atualmente, Israel opera as reservas de gás do Mediterrâneo e do Leste do Oriente Médio. Começou com TAMAR (2009), que fica a 90 km da costa de Haifa. No ano seguinte foi descoberto o campo de Leviatan em águas profundas (30 km) a oeste de Tamar, isto é, indo em direção à África e Europa. Mais recentemente foram encontrados os campos de Karish e Tanin. E há um mês, chegou nos "campos" de Karish uma plataforma flutuante da Companhia Britânica Energean que deverá explorar em grande escala!

Os dois compradores atuais de Israel são Jordania e Egito, países que também buscam realinhamentos geopolíticos. Nesta direção, o Egito tem aumentado significativamente a importação de gás de Israel, porque tem as bases necessárias para liquefazer o gás de petróleo e facilitar o uso doméstico.

Neste acordo com a Europa há grande interesse que os processo seja iniciado por volta do fim do ano, portanto, o transporte é essencial. Como não há ainda tubulação adequada unindo Israel e Europa, o transporte do gás liquefeito a partir do Egito se torna mais rápido e econômico.


E assim seguirá a humanidade?

No meio de semanas com tatos problemas, pesares e soluções menos ruins, encontramos um fato que  poderá servir de ponto de virada - ampliando os acordos entre Israel e vários dos países mulçumanos para permitir trocas comerciais relevantes para a estabilidade do planeta.


21 de junho de 2022

Regina P Markus









 

quinta-feira, 9 de junho de 2022

EDITORIAL: GILAD M ERDAN - Vice-Presidente 77a Assembleia Geral da ONU

 

EDITORIAL: GILAD MENASHE ERDAN - Vice-Presidente 77a Assembleia Geral da ONU